Mônica Salgado não economizou veneno ao analisar a atual fase pública de Luana Piovani durante participação no programa Pânico, da Jovem Pan. A jornalista afirmou que a atriz transformou a polêmica em profissão, citou o contrato de R$ 300 mil com o Sinal-DF e chegou a dizer que Luana está “decadente” e “cavando a própria cova”.
Eu estava no Airbnb em Petrópolis, com as amigas espalhadas pela sala depois do almoço, uma taça de vinho chileno tentando me convencer a abandonar qualquer noção de produtividade e a Bauernfest chamando lá fora, quando uma delas colocou o vídeo da Mônica no alto-falante. Meu amor, bastou ouvir “Luana Piovani” e “decadente” na mesma frase para a mesa inteira largar os canapés. A serra ficou fria, mas a língua da Mônica veio servida em ponto de labareda.
A conversa começou quando Fred Ring perguntou se, diante de temas polêmicos na internet, o melhor caminho é entrar no jogo ou ficar em silêncio. Mônica respondeu que tudo depende do assunto e do lugar de fala de quem se envolve. Para ela, quando a briga não tem relação com o nicho da pessoa, vira apenas “polêmica pela polêmica”.

Foi aí que Luana entrou no centro da roda. “A Luana Piovani é um exemplo claro. A profissão dela hoje é apontar dedos e gerar polêmica”, disparou Mônica.
A frase é forte porque mira diretamente no que Luana virou nas redes nos últimos anos: uma figura que comenta tudo, briga com famosos, compra guerras públicas e transforma indignação em combustível de engajamento. Neymar, Virginia Fonseca, Copa do Mundo, FIFA, publicidade, maternidade, apostas, política, praia, tudo passa pelo tribunal particular da atriz.
Mônica, no entanto, foi além da crítica comportamental. Ela questionou se essa audiência, movida muitas vezes por hate, realmente se converte em valor comercial. Segundo a jornalista, gritar muito nas redes pode até alimentar ego, mas não necessariamente sustenta uma marca pessoal desejada por anunciantes. “Agora, essa audiência é válida? No que reverte essa audiência? É para alimentar o ego puramente?”, questionou.
Enquanto minhas amigas em Petrópolis discutiam se Luana responderia ainda hoje ou só depois de uma taça de vinho português, eu fui atrás do ponto que deixou a fala de Mônica mais venenosa: o contrato de R$ 300 mil com o Sinal-DF, sindicato dos funcionários do Banco Central. Luana foi contratada para gravar vídeos criticando a PEC da Autonomia Financeira do Banco Central, e o valor virou munição para quem já acusava a atriz de vender indignação com nota fiscal.
No Pânico, Mônica usou justamente esse episódio para ironizar a suposta independência da atriz. “Foi pega ali com a boca na botija”, disse.
Em seguida, a jornalista bateu na tecla do mercado publicitário. Para ela, quando alguém passa a viver de confronto permanente, a régua precisa subir o tempo todo. A polêmica de hoje precisa ser maior que a de ontem, e a pessoa acaba se afundando no próprio personagem.
“E você vai se afundando também, porque que marca quer se associar… A Luana vive de marca, ela vive disso, né? De patrocínios. Então, que marca quer se associar a uma personalidade como essa?”, questionou.
Um dos comentaristas tentou ponderar que parte do público de Luana gosta justamente das opiniões dela, especialmente a turma que a aplaude por se posicionar contra determinados alvos. Mônica não recuou.
“Então, mas tirando o Banco Central, que acabou de pagar 300 mil reais para ela dar uma opinião, uma opinião totalmente isenta nas redes sociais dela, eu não vejo nenhuma marca endossando não”, afirmou.
E veio a pancada mais dura. “Sinceramente, não acho que uma marca séria quer se associar a essa mulher que tá decadente, que tá, enfim, cavando a sua própria cova, eu vejo.”
Pronto. A essa altura, uma amiga minha já tinha pausado o vídeo para repetir a frase, porque tem declaração que nasce com vocação para print. Mônica não só criticou Luana: ela praticamente escreveu o epitáfio comercial da atriz em rede de rádio, com plateia e microfone aberto.
A análise de Mônica tem um ponto central: a economia da atenção recompensa barulho, mas o mercado pode se assustar com quem vive em estado permanente de guerra. Luana sabe gerar assunto como poucas. Ela entra em embate com Neymar e vira manchete. Critica Virginia e movimenta fandom. Boicota Copa, cutuca a FIFA, fala de política internacional e cria onda. Só que, segundo Mônica, esse modelo cobra um preço.

Emílio Surita também entrou na conversa e disse que quem trabalha com polêmica precisa sempre subir um degrau, até chegar a um ponto em que a própria pessoa se confunde. Mônica concordou com a ideia de que pode virar algo viciante.
Eu, venenosa direto da serra, entendo a tese. Luana tem coragem, tem língua, tem repertório e não nasceu para ser morna. Isso ninguém tira dela. O problema é quando a indignação vira produto de assinatura mensal. Aí toda briga começa a parecer campanha, todo ataque parece estratégia e até a verdade perde força no meio do barulho.
