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Paolla Oliveira vive pressão pela maternidade em filme


(FOLHAPRESS) – É uma pressão histórica sobre as mulheres. A ideia de legado esteve quase sempre ligada à maternidade, e a pergunta “o que você vai deixar para o mundo?” costuma ser feita com mais frequência para elas, especialmente aquelas que decidiram (ou, para muita gente, ousaram) não ter filhos.

Em “Herança de Narcisa”, novo filme protagonizado por Paolla Oliveira, essa reflexão surge de maneira inesperada: por meio de um terror psicológico que transforma traumas familiares em uma história sobrenatural.

Com estreia marcada para 9 de julho, o longa dirigido por Clarissa Appelt e Daniel Dias acompanha Ana, personagem vivida por Paolla, que retorna à antiga casa da família após a morte da mãe, a ex-vedete Narcisa.

Ao lado do irmão Diego (Pedro Henrique Müller), ela precisa organizar a venda do imóvel, mas acaba mergulhando em lembranças dolorosas, segredos e acontecimentos inexplicáveis que fazem o passado ganhar vida novamente.

Embora o terror seja o pano de fundo da narrativa, foi a discussão sobre herança emocional que mais chamou a atenção da atriz.

Em entrevista ao F5, Paolla afirmou que a história a fez refletir sobre o peso que a sociedade ainda coloca sobre as mulheres e sobre a ideia de que apenas a maternidade seria capaz de construir um legado.

“Eu sou uma mulher que não tem filhos, então muita gente pode achar que não temos herança para deixar, mas temos. Acho que isso é construído todos os dias. Não precisa ser uma pessoa conhecida como eu. O tempo inteiro deixamos pequenas heranças por onde passamos, pelas coisas que construímos e pela forma como lidamos com a vida.”

A atriz, conhecida por se posicionar sobre temas femininos, acredita que aquilo que permanece vai muito além dos bens materiais ou da continuidade da família. “Essas heranças são as maiores de todas, porque as coisas que ficam são apenas coisas. O que é passado no corpo, na sensação e no sentimento permanece muito mais.”

No filme, Ana assume praticamente sozinha a responsabilidade de resolver tudo o que envolve a morte da mãe. Enquanto o irmão tenta manter distância dos conflitos familiares, ela enfrenta as burocracias, revisita memórias difíceis e encara uma convivência marcada por culpa e ressentimento.

Para Paolla, essa dinâmica retrata uma realidade ainda comum na sociedade. 

“Me parece que as mulheres têm muito mais responsabilidade em algum nível. Eu mesma não sei muito bem o que é meu e o que foi imposto, o que veio da minha criação ou das crenças da minha família. Mas isso é um fato.”

Ela observa que homens e mulheres costumam lidar de maneiras diferentes com os próprios conflitos.

“Tem gente que vai para a terapia durante anos e tem gente que simplesmente foge. Acho que o irmão da personagem faz isso. E é mais simples para um homem conseguir fugir. Já a Ana escolhe enfrentar as dores. É ela quem resolve vender a casa, cuida das burocracias e encara tudo de frente.”

Apesar da carga dramática da história, Paolla conta que aceitou o projeto justamente por representar um desafio completamente novo em sua carreira.

Ela admite que nunca foi apaixonada pelo gênero. “Gostei principalmente porque o terror me desafiou. Eu não sou uma consumidora assídua e fiquei pensando como conseguiria fazer aquilo. Será que eu precisava me assustar? Será que precisava viver aquela tensão o tempo todo? Fui descobrindo durante o processo.”

A atriz conta que a experiência também mudou sua percepção sobre como filmes de terror são construídos.

“Percebi que boa parte do terror nasce na pós-produção. Às vezes não tinha absolutamente nada acontecendo no set, era um som que depois criava toda aquela sensação. Mas adorei participar porque é uma história feminina, sensível e que não é genérica. Acho que muita gente vai conseguir se identificar.”

Além do suspense, Paolla diz que a narrativa trata de sentimentos universais, como culpa, abandono, afeto e as marcas deixadas pelas relações familiares.

Longe das novelas desde o fim de “Vale Tudo”, a atriz afirma sentir falta da presença diária na televisão aberta, mas acredita que as redes sociais e o streaming transformaram a relação entre artistas e público.

“Sinto falta, sim. Quando você faz novela, entra todos os dias na casa das pessoas e cria uma proximidade enorme. Mas hoje as redes sociais ajudam muito nisso. Quem acompanha meu trabalho sabe o que estou produzindo, mesmo antes de estrear.”

Ela também se diz emocionada ao perceber que suas novelas continuam encontrando novos espectadores anos depois da exibição original. “É uma honra saber que pessoas mais jovens estão conhecendo trabalhos antigos. Antes a novela acabava quando saía do ar. Hoje ela fica guardada para outras gerações descobrirem.”

Para a atriz, essa também é uma forma de construir legado. “Esse é um dos grandes presentes da nossa modernidade, do streaming e das plataformas. Elas ampliam a possibilidade do que vamos deixar quando partimos.”

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Folhapress | 08:00 – 29/06/2026



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