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ICMBio prepara novo plano para proteger o tatu-bola


O tatu-bola, mascote da Copa do Mundo de 2014, continua ameaçado pela perda de habitat na caatinga, pela caça e pela pressão de empreendimentos energéticos, estradas e expansão da agropecuária. Diante desse cenário, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) prepara o Plano de Ação Nacional para Conservação do Tamanduá-Bandeira, Tatu-Canastra e Tatu-Bola, conhecido como PAN Tatá.

Típico da caatinga brasileira, o animal é encontrado em estados do Nordeste, como Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Piauí. Segundo especialistas ouvidos, a instalação de fazendas solares e turbinas eólicas, além do avanço de estradas e da agropecuária, tem contribuído para a redução das áreas adequadas à espécie. A caça predatória e a caça de subsistência, ambas ilegais, também seguem como ameaça.

Pela combinação desses fatores, o tatu-bola permanece desde 2014 na lista de fauna ameaçada de extinção, classificado como “em perigo” na atualização feita neste mês pelo ICMBio. O novo plano nacional, segundo o instituto, pretende reduzir as principais ameaças às espécies contempladas nos próximos cinco anos por meio de ações como mapeamento genético, combate ao atropelamento e à caça, além da mobilização de comunidades rurais.

O planejamento do ICMBio delimitou áreas consideradas mais importantes para a conservação do tatu-bola, com a intenção de orientar a atuação de governos estaduais e municipais. A maior parte delas fica no Piauí, onde o governo federal ampliou unidades de conservação neste ano. Também foram apontadas como estratégicas áreas na Bahia, como o Parque Nacional Boqueirão da Onça e os parques estaduais de Canudos, Sumidouro e Morro do Chapéu, além de regiões em Tocantins e Pernambuco.

Especialistas afirmam que a preservação do habitat é central para a proteção da espécie. No início de junho, o governo federal ampliou o Parque Nacional da Serra das Confusões, no Piauí, e prometeu a extensão do Parque Nacional de Sete Cidades. A medida foi associada à Política Nacional para Recuperação da Caatinga, instituída no mesmo mês.

Em Pernambuco, o Refúgio de Vida Silvestre Tatu-Bola, criado em 2015, ainda enfrenta problemas de gestão. Segundo o biólogo Felipe Melo, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a unidade sofre pressões por causa da demora na elaboração do plano de manejo, documento que define as prioridades da gestão. O decreto de criação previa a elaboração do plano e a instalação de um comitê gestor em um ano, o que não ocorreu 11 anos depois.

Além de ameaçado, o tatu-bola é apontado como espécie importante para o equilíbrio da caatinga. De comportamento noturno, ele se alimenta de formigas, cupins, larvas e outros pequenos insetos, ajudando no controle de pragas. Também movimenta nutrientes do solo e contribui para a regeneração do ambiente ao cavar tocas e revolver sedimentos. Especialistas o descrevem como um “engenheiro de ecossistema”.

Exclusivo do Brasil, o tatu-bola tem ainda um mecanismo de defesa característico: ao se sentir ameaçado, ele se enrola completamente, formando uma bola protegida pela carapaça. Esse comportamento, porém, o deixa vulnerável à captura por humanos.

*Com informações da Agência Brasil



Jornal de Brasilia

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