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EUA retomam ataques ao Irã após pausa de Trump


IGOR GIELOW
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Após uma pausa de cinco dias, os Estados Unidos voltaram a bombardear diretamente o Irã na madrugada desta quinta-feira (30). A ação foi uma retaliação pelo ataque de Teerã contra forças americanas na Jordânia, ocorrido na quarta (29).

O presidente Donald Trump havia antecipado os ataques, assim como sua natureza, horas antes na Casa Branca. “Então agora é nossa vez”, disse a repórteres.

Segundo o Comando Central das Forças Armadas dos EUA, responsável pelo Oriente Médio, os alvos foram centros de comando e instalações de drones da Guarda Revolucionária.

O bombardeio durou duas horas, acabando às 2h locais (19h30 em Brasília). Ato contínuo, o Irã voltou a lançar mísseis e drones contra instalações americanas na Jordânia e no Kuwait na manhã desta quinta.

Com isso, está retomado, como disse Trump, o padrão de ataques de lado a lado, sem a volta de um conflito amplo, como ocorreu nas cinco semanas a partir do início da guerra lançada pelos EUA e Israel para derrubar a teocracia, em 28 de fevereiro.

Trump havia decretado a pausa na sexta (24) à noite para retomar o que chamou de “conversas amigáveis” com Teerã, que negou o contato e manteve ataques a bases americanas na região.

Segundo disse nesta quinta o governo do mediador Paquistão, as negociações de fato estão em curso lentamente, apesar dos ataques.

As ações militares são uma espécie de linguagem entre os rivais: buscam demonstrar força enquanto debatem os temas centrais, já que a permanência do regime em Teerã parece assegurada por ora.

São eles o controle e o trânsito de navios pelo estreito de Hormuz, o programa nuclear dos aiatolás e a segurança regional, para simplificar. O primeiro item emerge como o mais urgente, dado o impacto no mercado de petróleo e gás natural liquefeito, que tinha no estreito a via de passagem de 20% da produção mundial das commodities antes da guerra.

Nesta quinta, o governo iraniano afirmou que seguia em discussão com Omã, cujas águas territoriais cobrem metade do estreito, para estabelecer uma forma de controle conjunto que inclua a cobrança de pedágio para as cargas que por lá passarem.

Os EUA e seus aliados árabes no Golfo Pérsico publicamente não aceitam isso, mas já deram vários sinais de que poderiam ceder. Quando Trump assinou um cessar-fogo com o Irã em 17 de junho, o memorando não se opunha abertamente ao arranjo.

Embora o conflito pareça sob relativo controle no embate direto entre Washington e Teerã, os últimos dias registraram diversos desenvolvimentos preocupantes na região.

No sábado (25), a Ucrânia alvejou um navio iraniano supostamente carregando material para as Forças Armadas da rival Rússia no mar Cáspio. Com isso, Kiev buscou atrair apoio dos EUA à sua luta contra a invasão de Vladimir Putin, apontando para um rival em comum.

Na quarta, drones atacaram um porto egípcio que Teerã havia listado como alvo para eventual retaliação pelo episódio.

A ação contra o porto de Damietta causou danos a dois navios de estocagem de gás natural liquefeito para o terminal de regaseificação do local, o principal do Egito. Uma das embarcações é americana. Até aqui, ninguém assumiu a autoria do ataque.

Também na quarta os EUA se uniram pela primeira vez à Arábia Saudita em um ataque a milícias aliadas do Irã no Iraque. Os grupos vinham lançando drones contra o reino nesta semana, assim como têm feito pontualmente os houthis do Iêmen, rebeldes com agenda própria apoiados por Teerã.

Isso tudo mostra um espraiamento não do conflito em si, mas da violência associada a ele, com riscos de escalada evidentes.



Jornal de Brasilia

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