PUBLICIDADE

Estrangeiro não vê Brasil como prioridade, diz CIO da Nau Capital


O Ibovespa deve registrar desempenho inferior ao de outros mercados emergentes no restante do ano.

Essa é a avaliação de Mauricio Valadares, da Nau Capital, que apontou uma combinação de fatores internos e externos como responsáveis pelo cenário pouco favorável ao mercado acionário brasileiro.

Segundo Valadares, dois elementos se destacam como principais limitadores para uma valorização significativa do índice.

“O patamar de taxa de juros no país é restritivo, com altas taxas nominais e altas taxas reais, o que por si só já impede uma valorização significativa do Ibovespa”, afirmou.

Além disso, a composição do índice, com peso relevante em petróleo e minério de ferro, também contribui para uma visão menos otimista.

Tecnologia atrai capital estrangeiro, mas Brasil fica de fora

Valadares explicou que a mudança na percepção do investidor global em relação ao Brasil está diretamente ligada ao avanço do setor de tecnologia, especialmente em função da euforia com a inteligência artificial.

Mercados como Taiwan, Japão e Coreia passaram a concentrar atenção por abrigarem empresas com revisões significativas de lucros.

“O investidor global olha essas revisões e, obviamente, tenta não ficar de fora desse possível movimento”, disse.

Como o Brasil não possui um setor de tecnologia de destaque comparável, o país passou a ser visto com menos prioridade pelo capital estrangeiro.

No início do conflito geopolítico recente, o Brasil chegou a ser favorecido pela alta do petróleo, dado seu perfil exportador líquido.

No entanto, com a normalização dos preços da commodity — que retornaram a patamares inferiores aos observados antes do conflito —, essa vantagem competitiva deixou de existir.

“O Brasil deixou de ter essa vantagem competitiva que tinha no auge da guerra”, pontuou Valadares.

Mercado de capitais precisa superar juros altos e instabilidade institucional

Ao analisar os entraves para uma consolidação mais robusta do mercado de capitais brasileiro, Valadares destacou que os juros elevados são um fator limitador, mas não o único. Para ele, questões institucionais também pesam negativamente.

“Escândalos como o recente caso do Banco Master, por exemplo, vão tirando um pouco do ímpeto de grandes players institucionais globais entrarem com mais força no nosso mercado”, afirmou.

Na avaliação dele, o país precisa avançar em estabilidade jurídica e segurança para atrair o investidor estrangeiro com maior consistência.

Eleições precificadas como continuidade, sem expectativa de reformas estruturais

Sobre o impacto das eleições nos ativos financeiros, Valadares avaliou que o mercado já precifica como cenário base a continuidade do governo atual, com baixa probabilidade de reformas estruturais relevantes nos próximos quatro anos.

“A probabilidade de o governo atual endereçar o fiscal de forma mais sustentável e definitiva ao longo dos próximos quatro anos é baixa”, disse.

Ele também observou que, mesmo em um cenário de alternância de poder, não haveria perspectiva de mudanças transformacionais, o que explica por que o tema eleitoral permanece em segundo plano para o mercado.

Valadares não descartou, porém, que o assunto possa ganhar relevância à medida que a data da eleição se aproximar.



Source link

Leia mais

PUBLICIDADE