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Debate sobre tarifaço pelos EUA vira ringue de disputa eleitoral no Brasil


Brasília, 7 – O segundo dia da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) para a discussão da aplicação pelo governo Donald Trump de uma tarifa adicional de 25% a produtos brasileiros foi usado pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para atacar o governo de seu adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em seus cinco minutos de discurso, Flávio não se limitou a falar do tarifaço, que ele defendeu que não seja aplicado sob a alegação de que irá beneficiar politicamente Lula. O senador transformou a audiência num palanque, em que falou das eleições, criticou o Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou ser alvo de “censura” e citou casos de corrupção. O Planalto reagiu à fala de Flávio e também subiu no ringue eleitoral, com uma nota em que retomou o discurso de que o pré-candidato do PL faz “oposição ao País e ao povo brasileiro” e comete “traição à Pátria”.

“Elas (tarifas) foram exploradas politicamente pelo atual governo brasileiro. Uma tarifa de 25% penaliza todo o povo brasileiro, exceto justamente as autoridades responsáveis por essas decisões. Se a intenção é pressionar o Brasil, esse não é o jeito correto de fazer isso”, afirmou Flávio na audiência, em Washington.

Ele estava acompanhado do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), condenado por coação a ministros pelo Supremo Tribunal Federal e cassado pela Câmara.

No próximo dia 15, terminará o prazo para os EUA decidirem se vão pôr em prática tarifas adicionais sobre produtos brasileiros A intenção de aplicar o tarifaço foi anunciada em 2 de junho, um dia após visita de Flávio a Trump, na Casa Branca.

RESPOSTA

Em reação, o Palácio do Planalto, em nota, disse que Flávio está tentando politizar as relações entre Brasil e Estados Unidos. “Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao País e ao povo brasileiro”, afirma o comunicado.

Lula foi citado diretamente por Flávio no discurso, a que o Estadão/Broadcast teve acesso. O senador mencionou o caso Master, mas ocultou a própria relação que manteve com o banqueiro Daniel Vorcaro. Flávio negociou com o dono do banco o repasse de R$ 134 milhões para financiar um filme biográfico sobre o pai, Jair Bolsonaro (PL). “Os quatro maiores escândalos de corrupção da história recente do Brasil, o esquema do mensalão, o caso revelado pela Operação Lava Jato, a fraude envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), na qual o próprio filho do presidente Lula está entre os investigados, e o caso do Banco Master ocorreram sob governos liderados pelo Partido dos Trabalhadores, o partido que se manteve no poder”, disse Flávio.

O Planalto reagiu dizendo que o senador “esqueceu” de mencionar a conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro para tratar de recursos para o filme Dark Horse.

A nota do Planalto recorreu ao mesmo tom usado por Flávio, deixando nítido que a discussão sobre o tarifaço se tornou pauta da disputa presidencial e arena para os dois pré-candidatos. “Assim como o caso Master, os descontos ilegais que prejudicaram milhões de aposentados e pensionistas do INSS também começaram no governo Bolsonaro”, afirmou.

PIX

Flávio defendeu o Pix, como havia feito em carta enviada a Trump, atribuindo a criação à administração Bolsonaro. O governo Lula reagiu, na mesma nota, dizendo que Flávio “tenta mudar o discurso e passar a imagem de que defende o Pix”, mas “propõe subordinar o Pix aos interesses norte-americanos”.

Sobre as redes sociais, tema caro a Flávio e ao governo dos EUA, o senador atribuiu a culpa de remoção de conteúdos ao STF, citando ações no terceiro mandato de Lula. Em vídeo após a audiência, o senador criticou a ausência de representantes do governo no encontro. Em resposta, o Planalto disse que Flávio não se posicionou contra o tarifaço. (Colaboraram Gabriel Hirabahasi e Gabriel de Sousa)

Estadão Conteúdo 



Jornal de Brasilia

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