
“Nós precisamos acabar com essa história de que eles pensam que pobre não gosta de coisa boa. Aqui para eles”, disse, mostrando o dedo do meio em referência aos mais ricos. Em seguida, completou: “Nós gostamos de coisa boa”.
“Nós gostamos de coisa boa. De tudo: comida da melhor qualidade, roupa da melhor qualidade, viajar da melhor qualidade, dentista da melhor qualidade, médico da melhor qualidade… Vamos acabar com essa bobagem”, afirmou durante um evento do governo federal, em Brasília.
Na sequência, em um tom mais incisivo, o presidente afirmou que o plano de saúde da população mais rica do Brasil não é pago apenas com recursos próprios, mas também recebe um benefício indireto dos cofres públicos.
Segundo Lula, isso ocorre porque os gastos com planos de saúde podem ser deduzidos na declaração do Imposto de Renda.
“O rico fala: ‘Eu tenho um bom plano de saúde, então eu tenho bons médicos, porque eu pago’. Ele não paga porra nenhuma”, declarou.
“Ele desconta no Imposto de Renda o que paga de plano de saúde. Se ele desconta no Imposto de Renda, quem paga somos nós, porque o governo deixa de arrecadar esse dinheiro”, acrescentou.
“Eu sei que tem gente que não gosta que eu fale assim: ‘O Lula está bravo!’. Eu não estou bravo, não. (…) Estou bonitão, saudável e muito otimista”, disse, entre risos.
Na ocasião, o presidente comemorava os resultados e as entregas do programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde, criado para reduzir a fila de espera por consultas, exames e outros procedimentos no Sistema Único de Saúde (SUS).
A agenda presidencial contou com o lançamento simultâneo de 12 ações em 12 cidades de sete estados. Telões foram instalados nos locais, que também tiveram a participação de ministros do governo.
A partir deste sábado, o Brasil entra no chamado período de restrições eleitorais, a três meses do primeiro turno das eleições gerais de outubro. Durante esse período, a administração pública, incluindo o presidente da República, fica proibida de realizar determinadas ações de promoção institucional, como inaugurações de obras públicas.
De olho no calendário eleitoral, Lula intensificou nos últimos meses uma série de viagens pelo país para inaugurar obras, anunciar investimentos e lançar programas, incluindo iniciativas voltadas ao financiamento e ao acesso a crédito com juros mais baixos para pessoas endividadas e trabalhadores informais.
Coordenados pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência, esses eventos têm sido usados por Lula em um clima de campanha, com maior proximidade e interação com o público.
Uma das principais características desses encontros é o formato do palco: Lula permanece em uma espécie de arena cercada por grades e pelo público, o que lhe permite conversar diretamente com os participantes, em um estilo semelhante ao de programas de auditório da televisão.
Aos 80 anos, o presidente e líder do Partido dos Trabalhadores (PT) disputa neste ano um quarto mandato. Seu principal adversário é o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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