O Brasil concluiu dois processos de ratificação de acordo de livre comércio que ampliam participação da Ásia e da Europa na balança comercial do país. Com isso, o país quase triplica fatia do comércio coberta por preferências tarifárias.
Uma das ratificações de acordo de livre comércio é com Singapura e a outra com o EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio), bloco formado por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.
O movimento reforça a estratégia de diversificação de parceiros e deve ampliar de 12% para 31,2% a parcela da corrente de comércio brasileira coberta por preferências tarifárias, considerando também o acordo com a União Europeia, afirmou o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária).
A pasta considera estratégica a ampliação entre os dois pares internacionais. O acordo já tem vigência definida para o Brasil a partir de 1º de agosto, graças ao mecanismo de aplicação bilateral entre os países que concluíram a ratificação.
Os dois tratados têm pesos e características distintas dentro da política comercial brasileira. No caso de Singapura, o acordo representa a primeira parceria firmada pelo Mercosul com um país do Sudeste Asiático, abrindo uma nova frente de inserção do bloco em uma região dinâmica e que funciona como hub logístico e financeiro.
Para o Mapa, o tratado assegura tarifa zero a 100% das exportações destinadas ao país asiático.
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Singapura somou US$ 10,7 bilhões, com superávit de US$ 4,1 bilhões para o lado brasileiro. As exportações alcançaram US$ 7,4 bilhões, puxadas principalmente por óleos combustíveis, máquinas e equipamentos e carnes de aves, suína e bovina.
A expectativa do governo é que o acordo consolide a presença brasileira em um mercado relevante para bens industriais e produtos do agronegócio, além de servir como plataforma de aproximação com outras economias asiáticas.
Já o acordo com a EFTA tem como principal diferencial o fortalecimento da presença comercial do Mercosul na Europa, ainda que fora do mercado da União Europeia.
O tratado conecta o bloco sul-americano a economias de alta renda e elevado poder de compra, com acesso livre a quase 99% do valor exportado pelo Brasil aos quatro países europeus.
Juntos, EFTA e Mercosul somam mais de 280 milhões de consumidores. No caso desse acordo, o instrumento de ratificação brasileiro foi protocolado junto ao governo do Paraguai e será remetido à Noruega, depositária do tratado.
A entrada em vigor também seguirá o mecanismo de vigência bilateral, a partir do primeiro dia do terceiro mês seguinte ao depósito da ratificação entre os países que já tiverem concluído o processo — até agora, a Islândia é o país da EFTA que já ratificou o texto.
Em 2025, a corrente de comércio entre o Brasil e os países da EFTA totalizou US$ 7,8 bilhões, enquanto as exportações brasileiras ao bloco somaram US$ 3,8 bilhões, com crescimento de 22,9% em relação a 2024.
Na avaliação do governo, a conclusão dessas duas ratificações reforça a ofensiva comercial do Mercosul em mercados fora do eixo tradicional de negociações e amplia o alcance das preferências tarifárias para exportadores brasileiros, em um momento em que o bloco tenta destravar sua agenda externa e diversificar destinos para bens industriais e produtos do agronegócio.
