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De olho na Copa e no after: Romário abre mão de salário no Senado e peita o bolsonarismo pelo fim da escala 6×1


Romário pediu ao Senado Federal a devolução dos salários referentes ao período entre 11 de junho e 19 de julho, enquanto está nos Estados Unidos trabalhando como comentarista da CazéTV na Copa do Mundo. Filiado ao PL, o ex-jogador também reforçou apoio ao fim da escala 6×1, pauta que causa desconforto dentro do bolsonarismo.

Eu já tinha escapado do vento do Cosme Velho e estava parada no sinal, tentando decidir se seguia para casa ou se cometia a imprudência de tomar um café com escova nova, quando Romário apareceu no meu celular devolvendo salário e comprando briga dentro do próprio PL. A motorista nem tinha arrancado e eu já estava rindo sozinha: minha filha, o Baixinho está nos Estados Unidos comentando Copa, mas conseguiu dar uma caneta no bolsonarismo sem sair de Miami.

Romário pediu a devolução do salário enquanto trabalha como comentarista da Copa nos Estados Unidos
Romário pediu a devolução do salário enquanto trabalha como comentarista da Copa nos Estados Unidos

Em ofício enviado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, Romário pediu a devolução dos vencimentos do período em que estará fora do Brasil. Ele afirmou que, caso algum valor seja creditado por questão operacional, autoriza o desconto integral nos pagamentos seguintes.

“Na hipótese de, por qualquer motivo operacional, ocorrer o crédito de valores relativos a esse período, autorizo expressamente o desconto integral dos respectivos montantes nos pagamentos subsequentes, independentemente de nova autorização de minha parte”, escreveu.

O movimento veio depois de questionamentos sobre sua presença nos Estados Unidos durante a Copa. Romário está trabalhando como comentarista da CazéTV, mas declarou que não pediu licença do mandato justamente para poder participar de votações importantes no Senado, incluindo a PEC que propõe mudanças na jornada de trabalho e mira o fim da escala 6×1.

A pauta é sensível porque parte do PL e lideranças bolsonaristas tentam construir uma alternativa ao texto defendido pelo governo Lula. Romário, mesmo filiado ao partido de Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, tem declarado apoio à proposta.

“A Copa do Mundo é onde eu fiz a minha história, é onde o brasileiro mostra que é um povo só. Estar aqui é uma honra e um privilégio, mas eu jamais deixaria de cumprir o meu compromisso com a população do Rio de Janeiro. Continuo exercendo o mandato para votar pelo fim da escala 6×1 e em outras matérias que entrarem na pauta do Senado. Abri mão do meu salário nesse período pra não ter nenhuma dúvida. Aqui não tem conversinha, é olho no olho”, afirmou à coluna Radar, da Veja.

Olha, Romário sempre soube escolher frase de efeito. Em campo era “peixe dentro da área”. Na política, agora, mandou um “aqui não tem conversinha” que parece recado com chuteira na canela. E o detalhe saboroso é esse: enquanto o bolsonarismo tenta enquadrar a discussão trabalhista, o senador do próprio PL aparece defendendo a bandeira e ainda devolvendo salário para não dar brecha.

É um drible duplo. Primeiro, porque tira da mesa a acusação de que estaria recebendo enquanto comenta jogo fora do país. Segundo, porque reforça apoio a uma pauta popular que parte da direita trata como dor de cabeça.

Romário dançando no palco de Miami após jogo do Brasil
Romário dançando no palco de Miami após jogo do Brasil

E vamos combinar: quando um campeão do mundo, comentarista de Copa, senador do PL e personagem histórico do “falo mesmo” decide devolver salário e defender pauta trabalhista incômoda, a fofoca deixa de ser só administrativa. Vira constrangimento partidário.

No fim, Romário fez o que sempre gostou de fazer: recebeu a bola, ignorou a marcação e chutou onde quis. A diferença é que agora o goleiro é o bolsonarismo, a área é o Senado e o placar ainda está aberto.



Jornal de Brasilia

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