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“Ninguém precisa de advogado”: funcionárias de Viih Tube rebatem críticas ao reality das patroas


Eu já tinha terminado meu café no Cosme Velho, cortado uma fatia de mamão com a solenidade de quem tenta fingir vida saudável e aberto a janela para deixar o sol entrar, quando apareceu o contra-ataque das funcionárias de Viih Tube. Minha filha, larguei a faca na pia, porque quando a internet chama Ministério do Trabalho e a resposta vem em coro com “nós estamos amando”, a fofoca deixa de ser só entretenimento e vira audiência pública na cozinha.

No vídeo, uma das funcionárias aparece visivelmente incomodada com as críticas e diz estar “indignada” com a tentativa de cancelar o reality. “O pobre ele não pode ter nada, ele não pode ter a oportunidade de ter nada, que vem dar opinião onde não foi chamado”, afirmou.

 Participantes disseram que não foram obrigadas a fazer nada e que estão felizes no programa
Participantes disseram que não foram obrigadas a fazer nada e que estão felizes no programa

Segundo ela, os comentários negativos estariam tentando atrapalhar a participação delas no programa. “Vocês querem atrapalhar o nosso reality show das patroas. A gente trabalha feliz aqui, a gente ama o que a gente faz, a gente ama nossas patroas, somos bem cuidadas, somos bem tratadas, e agora vocês querem cancelar o nosso reality, gente?”, questionou.

A funcionária também rebateu quem sugeriu acionar órgãos trabalhistas por causa da dinâmica do programa. “Vai chamar o Ministério do Trabalho onde tem as coisas irregular, porque aqui é tudo regular, aqui é tudo certinho. Vão procurar o que fazer”, disparou.

A crítica ao reality surgiu depois que a primeira prova de “As Patroas” colocou funcionários da casa para procurar moedas escondidas em diferentes pontos da mansão, incluindo vaso sanitário, lixeira de banheiro e lago artificial. O episódio gerou debate nas redes sobre exposição, relação entre patrões e empregados e possível constrangimento travestido de brincadeira.

No vídeo de resposta, porém, as funcionárias sustentam que a participação foi conversada e aceita por elas. “Nós não fomos obrigadas a fazer nada que a gente não queira. Então foi tudo conversado certinho, a gente aceitou fazer tudo do nosso… e nós estamos amando fazer isso, participar. Por favor, não atrapalha não. Não atrapalha nós, hein, por favor”, disseram outras participantes.

A funcionária principal ainda defendeu os prêmios oferecidos no programa. “A gente tá concorrendo prêmios maravilhosos, dinheiro, moto, a gente tá tudo feliz, tudo ansioso pra saber quem vai ganhar, e aqui não uma pessoa só vai ganhar, todo mundo vai sair ganhando”, afirmou.

Ela também acusou internautas de difamarem Viih Tube e Eliezer. “Vocês, em vez de ajudar a torcer, ajudar a gente, a classe, né, pobre, vocês estão querendo excluir o nosso reality, gente? Comentando, difamando nossos patrões maravilhosos que eles são, entendeu?”

O discurso subiu de tom quando a funcionária passou a cobrar atitudes concretas de quem critica o programa. “Você que tá criticando, você dá um panetone pro teu funcionário no Natal? Duvido que tu não dá! Duvido! Tu dá uma cesta básica pra uma pessoa que tá precisando? Vai procurar o que fazer”, disse.

A fala mais direta veio no fim, quando ela rejeitou a ideia de que as funcionárias precisariam de defesa externa. “E outra, ninguém aqui precisa de advogado não, tá? Se nós quiser advogado a gente tem. Ninguém tá pedindo advogado aqui não. Vai procurar o que fazer. Eu, hein!”

Olha, esse caso virou um nó. De um lado, tem funcionárias dizendo com todas as letras que estão felizes, que aceitaram participar, que querem concorrer aos prêmios e que a internet não foi chamada para defendê-las. Do outro, continua existindo uma discussão maior sobre poder, exposição e trabalho quando quem organiza a brincadeira também assina o salário.

Polêmica começou após prova com moedas escondidas em vaso sanitário, lixeira e lago artificial
Polêmica começou após prova com moedas escondidas em vaso sanitário, lixeira e lago artificial

Aqui, mantenho a sobrancelha levantada, porque duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo. Elas podem estar satisfeitas, animadas e querendo jogar. E a prova ainda pode ser questionável quando coloca empregado para procurar moeda em privada e lixeira enquanto os patrões monetizam o conteúdo.

“As Patroas” conseguiu o que todo reality quer: barraco, torcida, defesa emocionada, acusação de cancelamento e frase forte para circular. A diferença é que, aqui, o paredão não está na sala. Está entre o público, os patrões e as próprias funcionárias, cada um disputando quem tem o direito de dizer se aquilo é oportunidade ou humilhação.





Jornal de Brasilia

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