O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu nesta sexta-feira (26/6), em Itajaí (SC), duas agendas ligadas à indústria naval: pela manhã, participou da cerimônia de lançamento ao mar e batismo da fragata Cunha Moreira, e, à tarde, visitou o estaleiro Detroit Brasil, onde estão em construção embarcações de apoio marítimo para a Petrobras.
A fragata Cunha Moreira é a terceira embarcação do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), iniciativa da Marinha do Brasil que integra o Novo PAC e a Nova Indústria Brasil (NIB). Segundo as informações divulgadas no evento, o programa prevê investimento de R$ 13,9 bilhões entre 2019 e 2030, com R$ 10,5 bilhões dentro do Novo PAC, e deve gerar cerca de 23 mil empregos ao longo de sua execução.
No discurso, Lula afirmou que a defesa nacional passará a ocupar papel central entre as prioridades do governo. Ele associou o programa à soberania do país e à capacidade de desenvolvimento tecnológico da indústria naval brasileira. A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, destacou que o Novo PAC busca fortalecer a capacidade produtiva e tecnológica do país, enquanto o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, afirmou que o atual governo tem feito um investimento relevante na área.
O PFCT prevê a construção e incorporação de quatro navios militares de alta complexidade tecnológica, com transferência de tecnologia e estímulo à produção nacional. As embarcações, segundo o material distribuído, têm capacidade de deslocamento de 3.500 toneladas, 107 metros de comprimento, convés de voo e hangar para helicópteros, além de radares, sistemas de armas avançados e sensores integrados. O programa também é apresentado como instrumento para ampliar a proteção da Amazônia Azul, realizar operações de busca e salvamento e cumprir compromissos internacionais.
Na segunda agenda do dia, Lula esteve no Estaleiro Detroit Brasil, onde são fabricadas embarcações de apoio marítimo offshore no âmbito do Programa Mar Aberto. O projeto prevê a construção de 42 embarcações em Santa Catarina, com investimento estimado em R$ 12 bilhões e expectativa de gerar mais de cinco mil empregos diretos no estado.
No estaleiro de Itajaí, estão sendo construídas seis embarcações do tipo PSV e quatro do tipo OSRV. Em Navegantes, também em Santa Catarina, mais seis PSV estão em construção. As informações divulgadas indicam ainda que a iniciativa prevê até 2032 a construção de 96 embarcações, com investimentos estimados em R$ 32 bilhões na indústria naval brasileira.
Durante a visita, Lula voltou a defender a indústria naval no país, afirmando que a produção nacional ajuda a desenvolver tecnologia, gerar emprego e ampliar a arrecadação. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que há previsão de novas encomendas e mencionou a contratação de mais embarcações para o setor. O governo também informou que a Petrobras negocia a fabricação de barcaças e empurradores para transporte de combustível.
As duas agendas em Itajaí ocorreram no mesmo dia e concentraram discursos em torno de soberania, defesa, reindustrialização e geração de empregos, temas que o governo vem associando tanto ao programa de fragatas quanto aos investimentos em embarcações de apoio à Petrobras.
