LONDRES/MANAMA/DUBAI, 25 Jun (Reuters) – A Organização Marítima Internacional (IMO na sigla em inglês) da ONU suspendeu sua operação de escolta a navios pelo Estreito de Ormuz depois que uma embarcação relatou ter sofrido um ataque, reacendendo as preocupações sobre se um acordo preliminar para pôr fim à guerra do Irã se manterá.
A Evergreen Marine de Taiwan informou na sexta-feira que seu navio foi atingido perto de Omã por um “objeto desconhecido” enquanto seguia uma rota recomendada pela agência naval britânica UKMTO. A agência havia informado anteriormente que uma embarcação havia sido atingida por um projétil horas depois que Teerã alertou as embarcações contra o uso de rotas não aprovadas por ela.
Duas autoridades americanas disseram à Reuters que o Irã havia disparado contra o navio, enquanto a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico do Irã, criada por Teerã para gerenciar os pedidos de passagem de navios pelo estreito, afirmou que não será garantida a passagem segura para embarcações que estiverem fora das rotas estabelecidas por ela.

“As consequências decorrentes da passagem por rotas não autorizadas serão de responsabilidade do proprietário, do operador e do comandante da embarcação”, afirmou a autoridade iraniana.
A Evergreen informou que seu navio Ever Lovely, de bandeira de Cingapura, foi atingido no lado de estibordo e que as inspeções iniciais revelaram danos nas janelas da ponte de comando. “A tripulação, a embarcação e a carga estão todas em segurança”, afirmou a empresa em comunicado à bolsa de valores. “A embarcação saiu em segurança do Estreito de Ormuz.” Uma fonte de segurança disse que o navio provavelmente foi alvo de um drone.
Não houve comentário imediato do governo dos EUA. O presidente dos EUA, Donald Trump, advertiu no início deste mês que, se o Irã não honrasse um acordo destinado a pôr fim à guerra e reabrir o estreito, os EUA provavelmente voltariam a bombardear o país.
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A IMO estava ajudando a retirar centenas de navios que ficaram retidos e milhares de trabalhadores do mar do estreito, onde estavam presos há meses, desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
A organização decidiu “suspender temporariamente a implementação da iniciativa para reconfirmar que as garantias de segurança necessárias continuem em vigor para os navios em nossa lista de retirada e todos os que se encontram na região”, afirmou o secretário-geral da IMO, Arsenio Dominguez, em comunicado.
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A IMO informou que o navio envolvido no suposto ataque não fazia parte de sua iniciativa de retirada, uma opção voluntária lançada na terça-feira para permitir que os navios e suas tripulações saíssem do Golfo por duas rotas — uma passando por águas iranianas e outra por águas de Omã, sob supervisão dos EUA.
É provável que o incidente em Omã volte a chamar a atenção para a extensão do futuro controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz, que, antes do conflito, era responsável por um quinto dos embarques diários mundiais de petróleo e gás natural liquefeito.
O Irã assumiu o controle efetivo da via navegável quando a guerra começou, interrompendo o fluxo de petróleo e abalando os mercados globais de energia, mas os preços do petróleo caíram novamente na sexta-feira e caminhavam para perdas semanais acentuadas, à medida que mais petroleiros retidos deixavam o estreito.
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O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, disse na sexta-feira que três navios sul-coreanos deixariam o Estreito de Ormuz no fim de semana, depois que o Ministério dos Oceanos informou que mais oito embarcações sul-coreanas haviam saído do local.
Havia também sinais de que os produtores do Oriente Médio estavam avançando com planos para aumentar as exportações.
Dados de transporte marítimo da LSEG mostraram que a Saudi Aramco retomou o carregamento de petróleo em seu terminal de Ras Tanura, no Golfo, na sexta-feira, após uma paralisação de quase quatro meses.
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Dois petroleiros de grande porte (VLCCs), controlados pela Bahri, braço de transporte marítimo da Arábia Saudita, foram vistos carregando petróleo bruto em Ras Tanura, o maior porto petrolífero do mundo, enquanto outro aguardava nas proximidades, segundo os dados. Cada VLCC tem capacidade para carregar 2 milhões de barris de petróleo.
A Saudi Aramco não pôde ser contatada imediatamente para comentar o assunto fora do horário comercial.
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Antes do incidente, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse a repórteres que, se o Irã ameaçasse ou bloqueasse navios no estreito, “então teremos um problema”.
O Irã, porém, sinalizou que continuaria a exercer controle sobre o estreito.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou na quinta-feira que a passagem segura só seria possível por rotas designadas pelo Irã, acrescentando que tomaria medidas contra embarcações que não cumprissem a determinação.
A Guarda Revolucionária também ordenou que dois navios com bandeira do Panamá mudassem de rota na quinta-feira, informou a empresa britânica de segurança marítima Ambrey.
A guerra está pesando fortemente sobre Trump antes das eleições de meio de mandato de novembro, que determinarão o controle do Congresso. Apenas um em cada quatro norte-americanos acredita que a guerra valeu a pena, segundo uma pesquisa da Reuters/Ipsos.
Surgiram versões conflitantes sobre elementos do plano de cessar-fogo, o que gerou críticas a Trump tanto no país quanto no exterior.
Persistem divergências sobre incentivos financeiros para o Irã, inspeções nucleares, controle do Estreito de Ormuz e a guerra paralela de Israel no Líbano.
O acordo prevê 60 dias de negociações para tratar das questões mais complicadas, incluindo o programa nuclear do Irã.
(Reportagem agências da Reuters)
