A defesa de Jair Bolsonaro (PL) informou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que o ex-presidente não autorizou o uso de sua imagem em um vídeo produzido por inteligência artificial, reproduzido durante a convenção do PL, que oficializou Flávio Bolsonaro (PL) como candidato à Presidência da República.
O analista de Política da CNN Teo Cury avaliou, ao CNN Novo Dia, que a estratégia adotada pelos advogados decidiu blindar Bolsonaro e expor Flávio.
Duas possibilidades, uma escolha
Segundo Teo Cury, havia duas possibilidades de resposta por parte da defesa. A primeira poderia complicar a situação de Jair Bolsonaro (PL), levando, no caso mais extremo, à revogação de sua prisão domiciliar e ao seu retorno a um presídio.
A segunda possibilidade era justamente a que se concretizou: uma resposta que preservasse o ex-presidente, mas que acabasse prejudicando Flávio Bolsonaro (PL) e sua campanha.
“O que aconteceu no final das contas foi uma resposta da defesa do ex-presidente que blinda o ex-presidente da República nesse vídeo que foi veiculado durante o lançamento da candidatura do Flávio Bolsonaro e que acaba expondo o senador e filho do ex-presidente”, afirmou Teo Cury.
Argumento da defesa
A defesa declarou que Jair Bolsonaro não concordou com a utilização de sua imagem no vídeo e que não deu nenhum aval para isso. Ao mesmo tempo, os advogados reconheceram que, historicamente, os filhos — Flávio, Jair Renan, Eduardo e Carlos — sempre utilizaram discursos e a imagem pública do pai para reforçar ou endossar seus próprios discursos, com base em um alinhamento político entre eles. Contudo, a defesa foi enfática ao afirmar que não houve anuência explícita de Jair Bolsonaro neste caso específico.
Para Teo Cury, a manifestação foi deliberadamente breve e objetiva, justamente para evitar qualquer brecha de interpretação que pudesse caracterizar descumprimento de ordem do ministro Alexandre de Moraes e, assim, justificar a revogação da prisão domiciliar.
Próximos passos
Com a manifestação da defesa protocolada, o próximo passo é aguardar a resposta do ministro Alexandre de Moraes. Segundo o analista, resta saber de que maneira Moraes irá se posicionar e se haverá algum tipo de desdobramento específico em relação à atuação de Flávio Bolsonaro (PL) no episódio.
