O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) será oficializado neste sábado (25/7) como candidato à Presidência da República durante convenção do partido na Arena Pacaembu, em São Paulo. O evento marca o início da campanha eleitoral em um momento de dificuldades para o parlamentar, que ainda não definiu o nome para a vice-presidência e enfrenta obstáculos para ampliar sua base de apoio político. Apesar de meses de negociações, o PL não conseguiu atrair partidos considerados estratégicos para fortalecer a chapa e aumentar o tempo de propaganda eleitoral.
A indefinição sobre o vice está diretamente ligada às conversas com legendas do Centrão. O partido mantém a vaga como principal instrumento de negociação, tendo o Republicanos entre os potenciais aliados. Nos bastidores, dirigentes avaliam que Flávio ainda não conseguiu expandir seu diálogo para além do eleitorado bolsonarista, enquanto o caso envolvendo o Banco Master também elevou a resistência de possíveis parceiros. A tendência, segundo interlocutores, é que partidos como União Brasil e PP permaneçam neutros na disputa, cenário que pode levar o senador a concorrer apenas pelo PL.
Na tentativa de demonstrar força política, a convenção contará com a presença do presidente da Argentina, Javier Milei, e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A campanha também busca reforçar a aproximação com o eleitorado feminino. A esposa do senador, Fernanda Bolsonaro, deverá discursar no evento e participar de agendas pelo país ao lado de Daniella Marques. O movimento ocorre após a recente reaproximação entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que aceitou um pedido público de desculpas feito pelo senador, embora sua participação presencial na convenção ainda seja considerada improvável.
Em seu primeiro discurso como candidato oficializado, Flávio deverá homenagear o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar, defender a união das forças de oposição e apresentar propostas voltadas para temas como economia e segurança pública. Integrantes do PL esperam que a campanha adote um tom menos confrontador e busque maior aproximação com eleitores moderados. Paralelamente, aliados acompanham com preocupação os desdobramentos da investigação envolvendo recursos do Banco Master destinados à produção de um filme sobre Jair Bolsonaro, episódio que voltou ao centro das discussões após a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF). O senador afirma ser alvo de perseguição política e sustenta que as acusações serão rejeitadas ao longo da campanha.
